Nesta página você encontra o CDI mensal e acumulado em 2020 até o último mês divulgado.
CDI são títulos emitidos por instituições financeiras com o objetivo de transferir recursos entre Instituições que têm reserva e Instituições que necessitam de capital para repor o seu caixa. É a sigla de Certificados de Depósito Interbancário.
O CDI é um dos principais indicadores de rendimentos para ativos de renda fixa. Junto com o IPCA, representam a maioria dos indicadores de rendimentos.
Na tabela abaixo é exibido o CDI nos meses de 2020. Ao lado é possível ver o CDI acumulado até o último mês divulgado.
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CDI
CDI acumulado 2020
janeiro 2020
0,38%
0,38%
fevereiro 2020
0,29%
0,67%
março 2020
0,34%
1,01%
abril 2020
0,30%
1,31%
maio 2020
0,25%
1,57%
Uma forma melhor de visualizar o CDI mensal e acumulado em 2020 é pelo gráfico abaixo.
Além de ser o termômetro oficial da inflação, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) pode afetar diretamente boa parte dos investimentos.
Por isso, entender e acompanhar esse índice é uma das chaves para ser um investidor mais consciente.
Neste guia, você vai saber como o IPCA funciona na prática e qual a sua relação direta com os seus investimentos.
Veja só o que preparamos para você:
O que é o Índice IPCA?
Como o Índice IPCA Funciona e Como Afeta Sua Vida?
Qual é a Diferença entre IPCA e IPCA-E?
Como é Calculado o IPCA Hoje em 2020
IPCA Hoje e dos Últimos 12 Meses? [Tabela]
O que Significam as Altas e Baixas no IPCA?
O que Faz os Preços e o IPCA Subirem?
Quais são as Causas da Inflação?
Retrospectiva do IPCA em 2019 e Previsões do IPCA para 2020
Outros Índices e sua Relação com o IPCA
Principais Investimentos Ligados ao IPCA.
O que é o Índice IPCA?
O IPCA é o Índice de Preços para o Consumidor Amplo. Esse importante índice é medido mensalmente pelo IBGE para identificar a variação dos preços no comércio.
Ele é considerado, pelo Banco Central, o índice brasileiro oficial da inflação ou deflação.
Como o Índice IPCA Funciona e Como Afeta Sua Vida?
Atualmente, temos uma inflação relativamente baixa, o que torna o impacto do IPCA sobre as nossas vidas menos visível.
Mas ele está ali, ajustando os preços em todas as nossas compras (para cima e para baixo) e afetando até mesmo a rentabilidade dos investimentos.
Nesse sentido, vale lembrar o período entre as décadas de 80 e 90, onde o índice deu origem ao que se chamava de hiperinflação.
Na época, era comum que um produto começasse o dia sendo vendido por um valor e terminasse custando bem mais caro.
E um dos instrumentos utilizados para medir a variação de preços, tanto no passado quanto nos dias de hoje, é o IPCA.
Assim, ele funciona como um termômetro para a economia brasileira, reunindo informações que ajudam o consumidor a entender o que vai encontrar na hora da compra.
E também, como mencionamos antes, serve como instrumento de correção de determinadas aplicações financeiras, que têm nele o seu índice de referência.
Esse é o caso de alguns títulos do Tesouro Direto, sobre os quais vamos falar com mais detalhes ainda neste artigo.
Qual é a Diferença entre IPCA e IPCA-E?
O IPCA é a medida da variação dos preços mais conhecida no Brasil. Além dele, há outros índices que possuem o mesmo objetivo, mas com metodologias diferentes, como é o caso do IPCA-E (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-Especial).
Basicamente, esse outro indicador é uma série especial do IPCA que é divulgada pelo IBGE a cada três meses.
A principal diferença entre o IPCA-E e o IPCA é que o cálculo é feito com base no IPCA-15 do período de referência. Nos próximos tópicos, vamos detalhar mais sobre este outro tipo de medida da inflação.
Para você ter ideia, o IPCA-E acumulado em 2019 foi de 3,91% – ligeiramente abaixo do IPCA, que finalizou o ano anterior em 4,31%.
De acordo com a finalidade de uso, esta diferença pode ser crucial na precificação de uma dívida, em investimento ou em taxas de juros cobradas.
Como é Calculado o IPCA Hoje em 2020
O índice IPCA é calculado com base em uma cesta que considera cerca de 350 diferentes itens
A taxa IPCA reflete o custo de vida para famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos residentes em regiões metropolitanas e alguns municípios.
Peso de cada região sobre o cálculo do IPCA – Fonte: IBGE
A coleta de dados para o cálculo do IPCA vai do dia 1º ao dia 30 ou 31 de cada mês, contemplando setores do comércio, prestadores de serviços, domicílios (para verificar valores de aluguel) e concessionárias de serviços públicos.
Os preços obtidos na pesquisa retratam pagamentos à vista nas seguintes categorias e suas respectivas participações:
Tipo de gasto
Peso
Transportes
20,8377%
Alimentação e bebidas
18,988%
Habitação
15,1593%
Saúde e cuidados pessoais
13,4575%
Despesas pessoais
10,5972%
Comunicação
6,1859%
Educação
5,9519%
Vestuário
4,801%
Artigos de residência
4,0215%
Peso de cada setor sobre o cálculo do IPCA – Fonte: IBGE
IPCA e a Inflação Acumulada
Além do IPCA, calculado e divulgado mensalmente, há outras formas de mensurar o efeito do sobe e desce dos preços em um determinado período. E a chamada inflação acumulada é uma delas.
Essa análise dá um passo atrás para avaliar as possíveis consequências da oscilação que acontece nos preços em longo prazo.
Assim, o IPCA acumulado nada mais é do que a soma das taxas de inflação registradas dentro de um determinado período.
Pode ser ao longo de um ano fiscal (de janeiro a dezembro) ou relativo a um período qualquer de 12 meses consecutivos, como de março de 2019 a fevereiro de 2020, por exemplo.
Como Calcular o IPCA Acumulado em 2020?
Como vimos, o IPCA acumulado consiste na média dos IPCAs dos meses considerados. Por se tratar de uma taxa de juros, ele é uma média ponderada.
Mas há uma forma de saber o seu resultado de forma rápida e eficiente, que é através da Calculadora do Cidadão do Banco Central (BC).
Assim, basta selecionar o índice de interesse (nesse caso, o IPCA), definir o período de interesse, por exemplo, de 01/18 até 05/18.
Agora, é preciso informar o valor a ser corrigido. Digamos que seja R$ 100,00. O resultado foi de 1,79%, ou seja, nestes 5 meses, o acumulado foi de 0,79% real.
IPCA hoje e dos Últimos 12 Meses? [Tabela]
Divulgado pelo IBGE sempre entre a primeira e a segunda semana de todos os meses, o IPCA fechou dezembro de 2019 em alta, marcando 1,15%, contra 0,51% de novembro.
O acumulado do ano chegou a 4,31%, que é o maior percentual registrado desde 2016.
Confira abaixo os índices de IPCA mensais e acumulados ao longo dos últimos 12 meses.
Mês
IPCA mensal (%)
IPCA acumulado (%)
Dezembro/2019
1,15
4,31
Novembro/2019
0,51
3,27
Outubro/2019
0,10
2,54
Setembro/2019
-0,04
2,89
Agosto/2019
0,11
3,43
Julho/2019
0,19
3,22
Junho/2019
0,01
3,37
Maio/2019
0,13
4,66
Abril/2019
0,57
4,94
Março/2019
0,75
4,58
Fevereiro/2019
0,43
3,89
Janeiro/2019
0,32
3,78
Histórico do IPCA nos últimos 12 meses – Fonte: IBGE
Note que, no período de 12 meses, os índices mensais foram pequenos. Inclusive, no mês de setembro de 2019, o IPCA fechou em deflação, ou seja, o seu dinheiro valorizou 0,04%.
O que Significam as Altas e Baixas no IPCA?
Cem reais de hoje não são os mesmos cem reais de um ano atrás.
Em termos práticos, quando o IPCA sobe, os itens de consumo do dia a dia costumam sofrer uma elevação de preço, gerando a inflação no período.
Esse é um pesadelo para brasileiros com lembrança de 1990 a 1994, quando houve a hiperinflação.
A média anual nesse período chegou a 499,2%, segundo matéria do G1. O dinheiro oscilava muito, podendo perder valor muito rápido. Um fogão de brinquedo poderia custar mais do que um de verdade, por exemplo.
De manhã, a comida tinha um valor. À tarde, outro.
Era comum nesse tempo pagar e receber em dólar, dada a sua estabilidade. Muitos hábitos de hoje, como as compras do mês, nasceram nessa época.
Via de regra, quando o IPCA sobe, é preciso de mais dinheiro para poder comprar a mesma coisa, ou seja, cai o poder de compra. Por isso, costuma-se ajustar o salário mínimo e as remunerações. É uma tentativa de equilibrar a balança.
Caso no mês seguinte o índice seja menor, não significa que haverá redução nos preços, a deflação. Na verdade, isto representa que os preços subiram menos do que no mês anterior.
Somente se o IPCA for negativo é que teremos deflação, ou seja, a diminuição nos preços.
O que Faz os Preços e o IPCA Subirem?
O Estado é um dos principais desencadeadores da inflação
Como você já deve ter percebido, o IPCA oscila mensalmente. De acordo com ele, os produtos e serviços podem ser reajustados, ou seja, é uma verdadeira bola de neve.
Isso pode parecer confuso. Afinal, quem alimenta quem?
Primeiramente, os produtos e serviços são precificados pela lei da oferta e demanda. Isto é, se algo tem muita procura, mas pouca disponibilidade, o preço dele sobe. Do contrário, ele tende a cair.
Como o IPCA é calculado com base em uma cesta com cerca de 350 itens, a variação é causada por fatores como resultado de safras, cotação do dólar, clima, custos de produção e de mão de obra.
Portanto, esse indicador é apenas uma média do quanto o seu dinheiro valorizou ou desvalorizou no período. Provavelmente, haverão produtos que não sofreram muita oscilação de preços.
Outro fator que também leva à alta do IPCA é a quantidade de dinheiro em circulação. Quando a economia está muito bem, com alto consumo e renda, terá mais moeda no mercado.
Caso essa quantia não seja controlada, o valor do IPCA geral deve cair, ou seja, o dinheiro perde poder de compra.
Por isso, o Banco Central estipula a meta de inflação. Através dela, ele utiliza mecanismos de controle para conter o avanço dessa desvalorização. Nos próximos tópicos, vamos explicar este controle funciona.
Quais são as causas da inflação?
A economia segue uma dinâmica própria e bastante complexa, com oscilações que podem ser respostas a situações sociais, financeiras, geográficas, desastres climáticos, decisões políticas, entre outros fatores.
Por isso, é difícil apontar com certeza a causa da inflação de maneira universal, sem analisarmos antes o contexto por trás de uma possível alta.
De modo geral, existem seis cadeias de acontecimentos que podem causar aumentar os preços. São elas:
Desequilíbrio dos gastos públicos
Cartéis empresariais
Inércia do cenário econômico
Aumento nos custos de produção
Baixas na produção
Ajustes de indexação.
Quando o governo injeta mais dinheiro na economia – seja pela impressão de novas cédulas ou por facilitar a concessão de crédito -, a demanda acaba ultrapassando a oferta e a moeda passa a valer menos.
Esse desequilíbrio dos gastos públicos acaba causando uma alta nos preços.
Ainda, a inércia na economia pode levar empresas a acreditarem que um aumento na inflação está por vir – fazendo com que os preços aumentem preventivamente.
A alta nos preços dos produtos pode vir também de fatores econômicos externos, como a menor importação de insumos, por exemplo, e impulsionar uma alta geral nos preços.
Pode ser que, por fatores climáticos, a safra de soja necessária para diversos produtos alimentícios seja muito menor do que o esperado – e uma baixa na produção que causa alta nos preços.
Por fim, é importante lembrar que o IPCA acumulado de um ano geralmente serve como guia para o planejamento do próximo ano fiscal.
Dessa forma, uma grande inflação no ano anterior acaba levando as empresas a aumentarem seus preços no novo ano.
Retrospectiva do IPCA em 2019 e Previsões do IPCA para 2020
Como destacamos antes, em 2019, o índice de inflação no Brasil acumulou variação de 4,31%, segundo o IPCA.
O valor é maior em 0,56% do que o registrado no ano de 2018 e fica acima também da meta de 4,25% estipulada pelo Banco Central para o ano.
Dentre os nove grupos de produtos e serviços monitorados para o cálculo do índice, o que sofreu maior variação durante o ano de 2019 foi o de alimentação e bebidas, com alta de 3,38%.
Ainda, o número divulgado sobre o mês de dezembro (1,15%) foi o maior para o período desde 2002, ano que foi registrada uma taxa de 2,1%.
Para 2020, a previsão do Banco Central aponta para um IPCA com alta acumulada de 3,7%.
Essa projeção parte da ideia de que a taxa de juros (Selic) deve continuar estável, em torno de 5% ao ano, e a taxa de câmbio posicionando o dólar por volta de R$ 4,20.
O resultado foi 0,8 ponto percentual acima dos 2,95% registrados em 2017.
Veja na tabela abaixo a evolução do índice IPCA ao longo de 2018:
Mês
IPCA mensal (%)
IPCA acumulado (%)
Dezembro/2018
0,15
3,75
Novembro/2018
-0,21
4,05
Outubro/2018
0,45
4,56
Setembro/2018
0,48
4,53
Agosto/2018
-0,09
4,19
Julho/2018
0,33
4,48
Junho/2018
1,26
4,39
Maio/2018
0,40
2,86
Abril/2018
0,22
2,76
Março/2018
0,09
2,68
Fevereiro/2018
0,32
2,84
Janeiro/2018
0,29
2,86
Histórico do IPCA em 2018 – Fonte: IBGE
Outros Índices e sua Relação com o IPCA
O IPCA não está sozinho. Muitas vezes, ele é influenciado por outros índices ou possui indicadores subjacentes, que são utilizados como fator de comparação ou para precificar outras áreas, como aluguéis e os juros base da economia.
Como investidor e consumidor, é fundamental estar atento para evitar as ciladas da inflação e para saber para onde o seu dinheiro está indo.
Conheça agora outros índices relacionados ao IPCA:
IPCA X Selic (taxa básica de juros)
A partir do IPCA, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) verifica se o Governo Federal atingiu ou não as metas de inflação.
De acordo com o resultado do IPCA, o Copom pode baixar, manter ou elevar a taxa de juros do Brasil – a taxa Selic. Essa taxa define quanto o Governo pagará de juros ao pegar dinheiro emprestado do mercado.
A taxa Selic é o principal mecanismo de controle do IPCA no Brasil. Portanto, quando há muito dinheiro em circulação, ela sobe, com o objetivo de frear a inflação.
Quando esse índice cai, pode-se entender que o BC ofereceu um incentivo para aumentar o consumo. Assim, as demais taxas de juros tendem a baixar.
Um exemplo disso é a taxa Selic atual, que está em 4,5%. Após chegar a este patamar, diversas linhas de crédito tiveram os seus juros reduzidos e também as opções de financiamentos aumentaram.
Como o IGPM afeta o IPCA?
O Índice Geral de Preços do Mercado, ou IGPM, é um indicador estabelecido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O objetivo de cálculo é o mesmo: medir a variação dos preços ao consumidor final.
Basicamente, esse índice tem influência sobre o IPCA, no sentido de que ele é a taxa principal para o reajuste e precificação dos aluguéis.
Então, se ele subir, os valores dos aluguéis também devem acompanhá-lo. Por entrar no cálculo do IPCA, este tende a aumentar.
IPCA X INPC – Diferenças
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) também é calculado mensalmente pelo IBGE, com diversos itens também monitorados pelo IPCA.
Sua principal diferença é que ele considera famílias com renda de até 5 salários mínimos mensais, ou seja, o comportamento dos preços para as famílias com menor poder aquisitivo.
Assim, o INPC é utilizado para reajustes salariais, que é um fator muito importante para a classe dos trabalhadores.
O que é o IPCA-15?
O IPCA tem um primo, o “IPCA-15”, que nada mais é do que uma prévia do IPCA.
Ele é utilizado para o reajuste do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). Ao contrário do IPCA, ele é medido a partir do meio do mês, do dia 16 ao dia 15 do mês seguinte.
Principais Investimentos Ligados ao IPCA
A melhor maneira de se proteger da inflação é investindo em ativos atrelados ao IPCA.
Todos os investimentos são afetados pelo IPCA.
Afinal, você, como investidor brasileiro, precisa garantir que a sua rentabilidade seja pelo menos superior à inflação do período.
O ganho real, ou seja, deduzida a inflação, taxas e tributos, precisa ser calculado na compra de qualquer ativo. Imagine conseguir um ótimo investimento, mas que, no final, fazendo as contas, faz você perder dinheiro?
Esse é o caso da poupança. Antes, a rainha dos investimentos. Hoje, o bicho papão dos aportes.
Colocar dinheiro na caderneta é sofrer mordidas da inflação diariamente e ter o patrimônio corroído.
Todo o investimento precisa, no mínimo, acompanhar a inflação para garantir o seu poder de compra.
Veja alguns ativos que são afetados positivamente pela alta do IPCA.
Tesouro Direto
Entre as opções do Tesouro Direto, o Tesouro Selic é o título público mais popular por sua segurança e rentabilidade, fazendo com que diversos investidores troquem a poupança e até outros investimentos.
A segurança se deve ao Tesouro Nacional, que emite os títulos. Dessa forma, ao investir no Tesouro, você estará emprestando dinheiro ao Governo. E, assim, é praticamente impossível ficar sem receber juros por isso.
Existe uma variedade de títulos do Tesouro, mas vamos nos ater ao Tesouro Selic e ao Tesouro IPCA+.
O Tesouro Selic traz rendimentos de acordo com a taxa básica de juros, enquanto o IPCA+ paga o índice no período acrescido de uma taxa fixada.
Ambos são ótimos e podem ser utilizados para curto prazo. O Tesouro Selic tem vantagem por sua liquidez diária.
Fundos de Investimento
Outra ótima aplicação, que pode seguir os índices macroeconômicos, são os fundos de Investimento, que destinam a maior parte do capital em renda fixa.
Eles funcionam como um condomínio, no qual diversos investidores confiam o seu patrimônio a um administrador, que faz a gestão e alocação do capital.
Existem diversos tipos de fundos, mas, em geral, eles buscam retornos acima do CDI. Trata-se de um investimento conversador, de baixo risco.
A taxa de administração costuma ser baixa e conta-se com a vantagem de uma gestão profissional.
Letra de Crédito Imobiliário (LCI)
As LCIs são muito semelhantes aos CDBs dos bancos. Eles são títulos emitidos pelas instituições para dar créditos a segmentos específicos, como o imobiliário nesse caso.
Assim como os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), o seu rendimento é baseado no CDI, um índice que costuma seguir de perto a Selic.
O CDI é o índice de juros que um banco paga ao outro quando pega dinheiro emprestado para fechar o seu caixa. Essa é uma operação que acontece diariamente.
Conclusão – Descobriu como o IPCA afeta seus Investimentos?
Acompanhar o índice IPCA é crucial para o seu planejamento financeiro, seja para guardar ou investir dinheiro.
Em resumo, o IPCA é o índice da inflação.
Ele afeta os brasileiros historicamente e, por isso, quem possuir um patrimônio depositado na poupança, precisa modernizar suas formas de investir.
Outra ideia de investimento incerto é a da casa própria. Se você está comprando um imóvel para morar, tenha certeza que está adquirindo um passivo. Principalmente se está financiando o imóvel.
Assim, gera custos como o de manutenção e tributos, além de imobilizar grande parte do seu capital.
Já o ativo é aquilo que traz dinheiro sem esforço para você, como uma aplicação financeira.
Aprenda a investir em conjunto com o IPCA, alocando recursos em ativos que tragam um retorno real.
Se você quer atingir os seus objetivos, é fundamental fazer o seu dinheiro trabalhar para você. Transforme a inflação de vilão para um aliado.
A pandemia do coronavírus mudou não só as nossas vidas como também a forma que as empresas e pessoas operam seu trabalham. O trabalho remoto é uma dessas realidades que estamos enfrentando de cara. Afinal, como podemos continuar engajando equipes de forma remotas?
Entretanto, nós não nos preparamos para trabalhar remotamente, simplesmente mudamos, assim, num curto período de tempo. Quais os impactos disso no engajamento das pessoas?
Acredito que muitas ações imediatas já foram tomadas, agora é o momento de pensar e consolidar este modelo para que tenha maior adaptação possível e não interfira nas atividades da empresa, até que o período de isolamento social tenha passado.
Quero compartilhar pontos de atenção para que o trabalho remoto aconteça de maneira mais efetiva na sua empresa.
Antes de tudo, garanta uma infraestrutura adequada
É ilusório falar de engajamento se temos falhas na estrutura de trabalho. E não estou falando apenas de ter mesa e cadeira adequadas, por mais que isso também seja crucial. Então, como continuar engajando equipes remotas?
As pessoas têm acesso às informações que elas precisam? Tem os equipamentos para fazer ligações, dispositivos móveis e outros recursos para operar seu trabalho? Permissões de acesso no software ou até softwares suficientes?
Se isto está falho, esqueça o restante por enquanto, sua prioridade é garantir que a equipe tenha os recursos necessários para trabalhar. O que a ISO 9001 fala no requisito 7.1.3 Infraestrutura ainda está valendo e precisamos trabalhar para que seja cumprido.
Isso não significa que tem que funcionar da mesma que forma que funcionava antes, apenas que deve gerar conformidade, igual ou melhor antes. Se for menos, teremos uma não conformidade.
Defina rotinas de interação com o seu time
Se você já fazia reuniões diárias, semanais ou mensais, adapte-as para calls e continue fazendo-as, sem negligenciar. Manter as rotinas já estabelecida traz as pessoas ao fluxo natural do trabalho, e ajuda a mantê-las em movimento.
Mas não só fazer o que você fazia, é importante avaliar se precisamos de novas rotinas. Líderes que lidam com trabalho remoto fazem reuniões diárias com o seu time. Não é nada complicado e moroso, é uma conversa rápida de 15min, todos os dias no mesmo horário, onde todos do grupo podem dizer como foi o dia anterior e suas prioridades para o dia atual. Você verá várias vantagens nisso, mas quero destacar duas principais:
estar disponível num tempo previsível onde todos poderão se expressar,
trazer pautas importantes para o dia,
tirar dúvidas do time sobre o trabalho, empresa, ou qualquer outra coisa, e
ter um compromisso assumido e declarado das entregas de todos.
Rotinas como essas ajudam as pessoas a continuarem se sentindo parte do time e até de algo maior.
A mensagem que queremos passar neste momento é: “é um mundo diferente, não sabemos quanto tempo isso vai durar e não temos certeza do que vai acontecer depois, mas agora, quero ter certeza de que todos sintam que têm o que precisa para entregar o melhor de si”.
Estabeleça um desafio comum
O Jeison já falou aqui no blog sobre os pilares que nos ancoramos para superar essa crise. Esse é um objetivo comum que temos e que nos ajuda a estar em movimento! Precisamos nos qualificar, trabalhar duro, sermos criativos para superar esse desafio.
É claro que no meio desse desafio tem um grande cenário de crise, mas o desafio nos coloca em movimento e tem um grande poder de unir as pessoas e seguir engajando equipes remotas! Principalmente se ele está ligado a contribuir e colaborar com as pessoas como clientes, sociedade, enfim.
Estabeleça um desafio comum com o seu time. Pergunte para eles: “qual é nossa melhor contribuição para empresa e sociedade nesse momento de crise?”, ou “quais devem ser nossas prioridades nesse momento?”. Discuta, ouça cada um, estabeleça um ponto comum, uma frase que vai nortear o trabalho e as prioridades durante esse período de isolamento social.
Você vai se surpreender com o potencial do seu time e com a conexão que isso pode trazer para as pessoas.
Confie no seu time
Uma das maiores dores dos líderes nesse período é não poder fazer uma supervisão presencial. Na verdade, isso é um medo disfarçado de dor. Medo da equipe não trabalhar com eficiência, ou estar fazendo corpo mole porque estão nas suas casas, por mais que várias pesquisas provem o contrário.
Garantir o trabalho por estar no mesmo lugar que o seu liderado é o que eu chamo de “falso controle”. A pessoa que não quer entregar vai arrumar um jeitinho de enrolar, longe de você ou na sua frente. Se você não confia na sua equipe, tem algo errado com você ou com seu time. E se você tiver uma boa habilidade de comunicação, conseguirá resolver isso com boas conversas, mesmo remotamente.
No trabalho remoto, a medição de produtividade não está amparada em horas trabalhadas, nós medimos entregas!
Se você tiver um desafio comum claro e alinhado com a estratégia da sua empresa, você pode desdobrá-lo para as pessoas do seu time transformando-o em objetivos e metas. Transforme essas metas em entregas claras como: site no ar, relatório entregue, e-mail enviado, planejamento desenhado, plano de ação concluído, entregar número x de alguma coisa, enfim. Monitore essas entregas diária e semanalmente, isso é uma das formas de seguirmos engajando equipes remotas. Pronto, é isso!
É o que o grande professor Falconi falava no livro “gerenciando a rotina do dia a dia”: defina o trabalho! Torne-o claro e você não terá problemas. Sua equipe vai ficar feliz porque está muito claro o que você espera e o que eles estão entregando. Você dormirá tranquilo.
Dê suporte ao seu time
Por mais que nos deparamos com vários desafios neste momento, existem maneiras muito simples de ajudar seu time. Quero falar um pouco sobre essas maneiras.
Tenha uma rotina de feedbacks
Isso já era para acontecer, mas a caso não aconteça, comece a fazer. Eu sei, eu já falei sobre reuniões diárias onde você encontrará todos da equipe, mas algumas pessoas vão demandar cuidados diferentes, seja pela natureza do trabalho ou até pelo momento que estão passando. Não deixe de acompanhá-las devidamente.
O apoio pode acontecer semanalmente, quinzenalmente e dependendo da situação, diariamente, mas é importante apoiar o time. Sempre foi importante, mas talvez você ainda não tenha se visto como uma “pessoa que ajuda as outras a superarem seus desafios”. Se é preciso estar perto de alguém nesse momento, esteja!
E não se furte de conversas difíceis! É claro que pessoalmente é muito melhor para fazer esse tipo de conversa por conta de toda linguagem corporal e afins, por isso, é importante que essas conversas aconteçam via call com vídeo ligado.
De qualquer forma, prepare-se, seja atencioso, esclareça e repita quantas vezes necessário, reforce com um e-mail se for o caso, mas não procrastine a resolução de conflitos. Feedbacks tem a função de ajudar as pessoas a se desenvolverem e isso a qualquer tempo. Com essa intenção bem alinhada, dará certo.
Lembre-se: você ainda tem a responsabilidade de ajudar o time a se desenvolver!
Ofereça apoio emocional ao time
A entrega do trabalho é essencial neste momento, mas eles não vão entregar o resultado se não estiverem bem psicologicamente. Tenha a atenção ligada no comportamento do time. Perceba as pessoas e aprenda a descobrir quando elas estão bem ou não, ou pelo menos, incentivá-las a falar quando tem problemas.
O líder é um gestor de percepções. (Roberto Tranjan, Metanóia – Propósito nos Negócios)
Fique de olho nas pessoas, observe se elas tem as informações necessárias para trabalhar e se elas estão compartilhando essas informações de maneira apropriada também. Isso ficará mais fácil se você tiver uma ferramenta de comunicação centralizada, ou até, várias ferramentas com objetivos bem definidos e entendidos pela equipe.
Exemplo: usaremos o Telegram para interações e conversas de trabalho, mas vamos ligar uns para os outros, se houver algo urgente. Usaremos o Google Meet para nossas reuniões diárias e mandaremos o link da reunião no Telegram.
Talvez isso não seja suficiente para apoiar o estado emocional das pessoas, e isso é completamente normal.
No trabalho remoto a gente perde as conversas não planejadas que acontecem ao ir buscar um café, ao tomar uma água, e essas influenciam o desempenho na jornada de trabalho.
É um momento de ser criativo. Grupos no whatsapp, ou outras ferramentas mais informais podem ajudar nessa interação. E sim, você DEVE incentivar e trabalhar nisso. Você é o líder!
Promova festas virtuais, almoços, cafés ou happy hours, cada um em sua casa, e falem sobre assuntos que não tem nada a ver com trabalho, isso também é uma forma de continuarmos engajando equipes remotas!
Trabalho remoto ou presencial, estamos falando de pessoas
Por mais que pareça que tudo mudou, no fim, estamos falando de pessoas! O engajamento acontece quando garantimos uma comunicação com foco em criar significado e competência de execução, trazendo as pessoas para se envolverem no resultado do trabalho, participando da decisão. Não é nada novo, nada do que já não falamos aqui.
Eu sei que as coisas não estão acontecendo do jeito que estamos acostumados, mas é uma boa oportunidade de pensar se todas as atividades com as quais estávamos tão preocupados em nossos escritórios são realmente essenciais para ajudar nosso time, não só nesse momento, mas ao longo do tempo.
Essas novas soluções podem estar em teste e correm grande risco de não dar certo na primeira vez. É claro que teremos dificuldades. Mas precisamos ir! Fazer, melhorar, fazer de novo, aprender e seguir. Precisamos continuar engajando equipes remotas!
É o momento de colocarmos nossas melhores competências em prática e viver excelência todos os dias. Nós não vamos errar enquanto tivermos a intenção de ajudar as pessoas a se desenvolverem para entregarem o melhor de si, seja presencial ou remotamente.
Existem vários paradigmas da qualidade que estamos lidando há muito tempo: qualidade é só papel, muita burocracia, não gera resultado econômico, enfim. Hoje quero falar acerca de gestão de mudanças planejadas e sistemáticas, assunto que temos discutido bastante por aqui.
O assunto é propício porque, a princípio, a necessidade de fazer isolamento social nos pegou de surpresa e tivemos que fazer uma mudança abrupta. Agora, já estamos em fase de consertar os gaps que ficaram e nos adaptar a essas mudanças sejam elas planejadas ou sistemáticas, analisando os impactos e consolidando os processos de maneira sistêmica e sustentável.
Esse período de incertezas, tem nos despertado para resiliência, agilidade e, obviamente, podemos tirar vários aprendizados importantes. Alguns deles, quebram paradigmas da qualidade.
Bom, vamos para o assunto!
Gestão de mudanças segundo a ISO 9001:2015
Eu não sei você, mas sendo da Qualidade, acredito que a maneira mais adequada de falar isso é recorrendo à ISO 9001:2015, a norma mundial que reúne as melhores práticas de sistemas de gestão.
Quando a organização determina a necessidade de mudanças no sistema de gestão da qualidade, as mudanças devem ser realizadas de uma maneira planejada e sistemática (ver 4.4).
A organização deve considerar:
a) o propósito das mudanças e suas potenciais consequências;
b) a integridade do sistema de gestão da qualidade;
c) a disponibilidade de recursos;
d) a alocação ou realocação de responsabilidades e autoridades.
A ISO é uma norma voltada para melhoria contínua do sistema de gestão, por isso tem como base o nosso bom PDCA. As mudanças servem para melhorar as empresas, por isso há esse cuidado de fazer isso olhando riscos, oportunidades, consequências, recursos e a integridade do sistema de gestão.
Primeiro impasse: realizar mudanças de uma maneira planejada e sistemática
A primeira orientação da ISO é que “as mudanças devem ser realizadas de uma maneira planejada e sistemática”. Desculpa, mas eu ri levemente aqui. Não porque a gente não fez isso, mas porque realizamos esse requisito de uma maneira diferente.
Eu lembro que quando eu lia esse trecho antigamente eu pensava: “nossa, planejada e sistemática, eu preciso realmente gastar energia no planejamento e pensar em todos impactos que isso vai causar”. E logo depois, eu pensava “vai demorar”.
Aí eu lembro da gente aqui na ForLogic que, em uma semana, colocamos 100% da equipe em home office, um projeto que estávamos procrastinando há anos pois “tinha que ser de maneira planejada e sistemática”.
Foi planejado? Sim! Levamos a equipe para casa gradativamente, em uma semana. Levamos cadeiras e mesas para quem não tinha infraestrutura para trabalhar em casa. Direcionamos as ligações de telefone fixo para tocarem nos celulares da empresa, redefinimos nossa ferramenta de comunicação, enfim.
Foi sistêmico? Claro, passou por todos os processos da organização! Todos os líderes conversaram com seus times, tiraram dúvidas, adaptaram suas rotinas nas novas ferramentas, estão adaptando rotinas de trabalho e fortalecendo nossa cultura. Avaliamos riscos, oportunidades, estabelecemos novos planos de ação, enfim, a coisa aconteceu!
É claro que, existem dificuldades e desafios que estão aparecendo agora, e estamos tratando-os, um por um. Mas no geral, pensamos na maior parte dos impactos, nos pontos mais críticos.
Nas conversas entre liderança, trazemos as percepções do trabalho e levantamos novos riscos para atuar, portanto, a mudança vem sendo trabalhada em melhoria contínua e de maneira planejada e sistemática.
Por que não fizemos isso antes?
Esse é apenas um exemplo, mudamos várias as coisas aqui de maneira rápida e que tornou nossos processos melhores do que antes! Dá pra acreditar? Já tínhamos esse objetivo quando direcionamos o nosso trabalho em meio a crise: fortalecer nossos processos. Mas a gente nunca imagina realmente como vai ser, né?
Descobrimos várias coisas que entraram para uma lista do “se tivesse…”. Se tivéssemos rodado o home office antes, hoje seria mais fácil. Se tivéssemos testado aquela ferramenta de comunicação interna antes, esse assunto estaria resolvido. Se tivéssemos… enfim, por aí vai.
Alguns destes itens tem sido trabalhados agora, de forma ágil e melhorando a cada dia. E quer saber? Tem funcionado bem!
E aqui temos um paradigma da qualidade sendo quebrado: não precisa ser demorado!
Esse tempo todo, quem fez a qualidade ou a ISO parecer esse poço de burocracia somos nós mesmos. Nossas crenças, e talvez até o nosso anseio de querer fazer o perfeito antes do feito.
No fim, dentro do requisito de gestão de mudanças, o que eu considero de maior importância é “a integridade do sistema de gestão”. Esse é o resultado que temos que gerar!
É claro, vamos mudar a forma de fazer as coisas, mas é possível gerar um resultado conforme nessas novas condições? Entregar um produto ou serviço livre de defeitos, ou seja, conforme os requisitos que estabelecemos e aumentar a satisfação do cliente. Isso é manter a integridade do sistema de gestão: fazer as entregas de acordo com os requisitos mesmo em tempos difíceis.
Com a limitação de recursos nesse período, estamos aprendendo a encontrar soluções mais criativas, simples e ágeis. Estamos conseguindo dar passos no caminho da excelência e continuar o trabalho. E eu realmente acredito que vamos mostrar uma qualidade que gera muito mais valor para organização.
Não estamos vendo a qualidade como “passar na prova” (ou auditoria, se preferir), mas como um processo que nos permite fazer mudanças com o máximo de efetividade possível.
E claro que existem outras variáveis como: resistência das pessoas, colaboração, autonomia. Pra mim, isso abre vários aprendizados que podemos ter neste momento. Por que todos entenderam a seriedade do momento? Por que tivemos tanto engajamento?
No fim, vale a reflexão sobre a forma que temos conduzido as mudanças planejadas e sistemáticas na organização e o que podemos aprender nesse tempo.
Quem participa dos diferentes ecossistemas de empreendedorismo de impacto está acostumado a cruzar vez que outra com a ideia de Teoria da Mudança.
Geralmente atrelada a noções como “métricas de impacto” e “visão de longo prazo” as metodologias relacionadas à teoria da mudança – como o Modelo C, por exemplo – se difundiram rapidamente entre organizações e empreendedores focados em negócios de impacto.
No entanto, saber como aplicá-la de modo efetivo já é algo bem mais complexo. Quer finalmente entender o que é e como utilizar as ferramentas de teoria da mudança? Então se liga no post que preparamos para vocês.
Afinal, o que é a Teoria da Mudança
De forma super resumida, a Teoria da Mudança é um conjunto de ferramentas que auxilia no planejamento de qualquer tipo de iniciativa social – como um projeto, uma política pública ou um empreendimento, por exemplo.
Ou seja, ela ajuda a definir e explicitar os objetivos de longo prazo de determinada iniciativa ao mesmo tempo em que permite identificar as pequenas metas a serem atingidas durante o caminho para que esse objetivo se concretize.
Ela é especialmente atrativa para projetos colaborativos, que contam com interesses de diferentes atores. Seu ferramental permite que as decisões sobre as mudanças sejam organizadas de forma coletiva.
“A Teoria da Mudança é essencialmente uma descrição abrangente e ilustrativa de como e por que uma mudança desejada deve acontecer em um contexto particular. Ela é focada em mapear ou “preencher” a lacuna (gap) entre o que um programa ou iniciativa de mudança faz (suas atividades, intervenções) e como isso determina que os objetivos desejados sejam alcançados.” (TheoryofChange.org)
A teoria da mudança surgiu na metade dos anos 90, no contexto norte-americano de avaliação e monitoramento de iniciativas sociais. Uma das principais idealizadoras e formuladoras do conceito foi Carol Weiss, que já vinha pensando sobre o conceito desde a década anterior.
No entanto, foi somente durante as Reuniões de Transformação Comunitária (Roundtable on Community Change promovidas pelo Aspen Institute), em que diversos atores do ecossistema se reuniam para debater os desafios e lições de cada projeto, que as ferramentas em si começaram a tomar forma.
Os pressupostos iniciais que os guiavam estavam mal articulados com o objetivo geral do programa, e muitas vezes com a própria estrutura do programa em si!
Teoria da Mudança em negócios de impacto
No caso dos negócios de impacto, o problema é extremamente similar. Muitas vezes, sabemos que queremos gerar um impacto positivo na sociedade e transformar o mundo e a comunidade onde vivemos em um lugar melhor.
Mas, na correria do dia-a-dia, são raros os empreendedores que encontram o tempo e as ferramentas necessárias para entender e estabelecer a sua tese de impacto, a declaração objetiva de como o negócio quer gerar impacto.
E, mais importante ainda, identificar todos os pressupostos (e as métricas!) relacionados a cada um dos passos que levarão ao alcance do objetivo final.
E é justamente aí que entra a tal da Teoria da Mudança, que embora leve este nome acaba se desdobrando em uma série de atividades extremamente práticas. A teoria da mudança é o ponto de partida (e não o de chegada)! Começa pela tese e vai quebrando passo a passo o caminho para concretizá-la.
Mas, afinal de contas, como implementar a Teoria da Mudança no seu negócio de impacto?
1. Envolva os diversos stakeholders no processo
O primeiro passo é ter em mente que o processo deve ser realizado da forma mais colaborativa e coletiva possível. De pouco adianta designar um único indivíduo com a tarefa de elaborar toda a teoria da mudança de sua organização e entregá-la na forma de um relatório que não será lido ou aplicado.
Mesmo que demore um pouco, vale mais a pena despender um dia em que todos os stakeholders estejam engajados e dispostos a trazer suas visões e inputs para o projeto.
Afinal de contas, lá na frente são justamente estes colaboradores e investidores que estarão interessados em ver os objetivos realizados e as metas alcançadas.
Caso seu negócio ainda esteja em uma fase inicial em que os potenciais investidores e parceiros não estão ainda em contato com o projeto, vale um esforço para trazê-los para perto ou pelo menos realizar um exercício de empatia e pensar como eles.
2. Conheça profundamente o problema que você está resolvendo (e as pessoas afetadas por ele)
Elaborar uma boa teoria da mudança depende, necessariamente, das pessoas envolvidas no processo terem um conhecimento amplo e aprofundado não apenas sobre a solução – o projeto ou negócio que estão desenvolvendo – mas também e principalmente sobre o problema que buscam resolver.
Realize pesquisas, vá para as ruas e converse com as pessoas que estão em contato direto com o problema antes de sentar para elaborar a sua teoria da mudança.
Quem sabe convide uma delas para a co-criação?
Afinal de contas, não há ninguém mais interessado nos resultados da sua ação do que aquelas pessoas que serão diretamente afetadas por ela.
Nesta etapa, preocupe-se também em ter bem especificado e organizado:
a) as causas e as consequências do problema central;
b) as raízes mais profundas e complexas do problema que você está tentando resolver (utilize a técnica da árvore de problemas e dos por quês?);
c) além de listar a maior quantidade possível de causas e consequências associadas (em um primeiro momento, na forma de brainstorm).
Tire um tempo para, em seguida, organizar estas conexões e certificar-se que elas fazem sentido.
3. Defina os objetivos de longo prazo desejados (e como avaliá-los)
Uma das etapas mais importantes – se não a mais importante – na construção da Teoria da Mudança é definir quais os objetivos de longo prazo que se deseja alcançar com o negócio de impacto.
Mas, como definir estes objetivos?
Bom, lembra da etapa anterior de exploração do problema? Se você cumpriu bem aquela etapa, a definição dos objetivos aqui é simplesmente uma questão de adaptação da linguagem e reafirmação do compromisso com o problema.
Por exemplo, se o problema identificado é a “falta de água na comunidade abc”, então a definição do objetivo de longo prazo pode ser descrita como “melhorar a oferta e distribuição de água na comunidade abc”.
Assim como ao longo de toda a construção da Teoria da Mudança, nesta etapa também é importante atentar para questões de mensuração dos resultados com indicadores de impacto.
Essas definições devem ser estipuladas desde o princípio, para facilitar a avaliação do programa ou evolução do negócio ao longo de sua implementação.
Como você vai saber que atingiu o seu objetivo de melhorar a oferta de água em determinada comunidade? Esta “melhoria” precisa ser explicitada de forma objetiva e mensurável, para que possamos entender o tamanho da mudança que pretendemos realizar.
Mas, como saber que meta é razoável? Voltamos aqui uma vez mais à exploração do problema.
Quando bem feita, esta etapa deve ser capaz de nos indicar quantitativamente o tamanho do problema que estamos encarando – e, por consequência, do impacto gerado pela solução que entregaremos.
Quantas famílias da comunidade não têm acesso à água? Quantos % isso simboliza dentro de toda a comunidade? Por quantas horas do dia o fornecimento de água é garantido? Qual a qualidade desta água? Sabendo estes dados, podemos eleger as metas que desejamos atingir com a nossa intervenção.
Dica importante
-> Cuidado com as métricas de vitrine! Muitos projetos utilizam as métricas de vitrine com o objetivo de apresentar “grandes números” que impressionem seus investidores e colaboradores. Mas de nada adianta trazer números enormes se eles não nos informarem nada sobre a evolução da ação proposta.
-> As métricas devem ser sempre pensadas em relação ao problema, para que possamos calcular as mudanças que ocorreram. Por exemplo, definir a meta de proporcionar água de qualidade para 500 famílias não significa nada fora do contexto relacional.
Pense que se o abastecimento de água às 500 famílias durar apenas alguns minutos no dia, ou ocorrer durante 3 horas mas com uma logística difícil e cara, isso não acarretará em uma melhoria na qualidade de vida das pessoas que sofrem com este problema e nossos números seriam apenas uma “imagem meramente ilustrativa”, bonita de se ver mas sem um conteúdo que traduza o real impacto.
-> Uma boa métrica traz os números dentro de seus contextos. No nosso exemplo, algumas possibilidades de métrica de impacto seriam: aumentar para X% a quantidade de famílias que têm acesso à água potável (própria para beber e cozinhar) durante X% do seu dia a um valor de X reais por litro. Muito melhor e mais preciso do que apenas “entregamos água para 500 famílias”.
4. Monte a estrutura da Teoria da Mudança
Agora que vocês já definiram o objetivo de longo prazo e sua métrica, é hora de começar a elencar as atividades, hipótese e resultados esperados que irão compor o mapa da teoria da mudança. A estrutura básica para fazer isso utiliza-se da lógica do “E SE…”
Veja no exemplo a seguir:
SE nós estabelecermos um comitê para a comunidade (atividade) E as pessoas se engajarem (hipótese) ENTÃO poderemos construir uma cisterna comunitária (resultado). SE construirmos uma cisterna (resultado) E ela for de fácil manutenção (hipótese) ENTÃO as pessoas terão acesso à água para suas atividades diárias (benefícios). SE as pessoas tiverem acesso à água (benefício) E as famílias cumprirem as indicações de higienização (hipótese) ENTÃO vamos alcançar o objetivo de melhorar a distribuição de água (objetivo geral).
No entanto, para resolver problemas complexos, as hipóteses e atividades são inúmeras e muitas vezes acabam se entrecruzando. Tendo em mente a lógica do E SE, utilizar uma ferramenta como um quadro para organizar as inúmeras hipóteses ou um diagrama para elencá-las pode ajudar muito na hora de montar a sua Teoria da Mudança.
O quadro abaixo contribui para esta organização. Lembrando que o primeiro item a ser preenchido é justamente o que aparece no mais à direita. Você deve primeiro preencher o resultado de longo prazo que espera alcançar, e então retornar ao início e seguir na direção desse resultado.
Fazendo desta forma, garantimos a efetividade da real mudança: é ela que define todo o processo. Mantendo o foco no resultado, as demais etapas do empreendimento são encaminhadas na sua direção, garantindo que os resultados de longo prazo sejam alcançados.
Eu preciso ter uma teoria da mudança?
Chegando até aqui fica evidente que os ganhos ao utilizá-la vão muito além do auxílio na mensuração de impacto, embora este também seja um ponto forte desta metodologia. As vantagens de aplicá-la na construção do seu modelo de negócio são:
1 – Ajudar a desenvolver um planejamento mais robusto das atividades a serem executadas,
2 – ter uma visão objetiva sobre quais tarefas são necessárias para atingir quais resultados,
3 – impedir que você e sua equipe gastem tempo e recursos com tarefas pouco relevantes e, claro,
4 – facilitar o processo de acompanhamento e monitoramento da evolução do seu negócio.
Esperamos que agora você tenha um entendimento um pouco mais aprofundado sobre as ferramentas de Teoria da Mudança e busque implementá-la em seu negócio de impacto!