Atualmente, há indícios de que a inflação pode estar começando a desacelerar em várias economias. Isso pode ser atribuído a alguns fatores, como por exemplo os ajustes nas cadeias de suprimento. Com a reabertura das economias, muitos setores estão conseguindo se adaptar e reduzir gargalos que contribuíram para a alta de preços. Outro fator para ser levado em consideração é o aumento das taxas de juros, onde os bancos centrais em todo o mundo, como o Federal Reserve nos EUA e o Banco Central Europeu, têm aumentado as taxas de juros para conter a inflação. Essas medidas podem ter um efeito retardado, mas geralmente ajudam a esfriar a demanda e estabilizar os preços.
Por outro lado, existem riscos que podem dificultar a queda da inflação. Fatores como tensões geopolíticas, novas variantes de COVID-19 e outras doenças, desastres naturais e mudanças climáticas podem impactar a oferta e os preços de commodities. Além disso, a demanda reprimida em alguns setores pode provocar novos aumentos de preços se a economia se recuperar rapidamente.
Portanto, enquanto há sinais de que a inflação pode estar em queda, é importante acompanhar os desenvolvimentos econômicos e políticos que podem influenciar essa trajetória. A atualidade nos mostra que, embora a redução da inflação seja uma possibilidade, a volatilidade e a incerteza ainda podem impactar os resultados.
Não resta dúvidas de que o mercado imobiliário está crescendo bastante nos últimos tempos. Mas mesmo com esse tipo de aplicação em alta, surgem incertezas de quando vale a pena adquirir um imóvel para investimento. Afinal, existe um momento ideal?
O que sabemos é que hoje existem diferentes alternativas para quem quer comprar um imóvel. Os novos bancos digitais e fintechs chegaram para trazer praticidade e rapidez na aquisição de crédito, oferecendo modalidades com juros baixos e parcelas a longo prazo, como é o caso do empréstimo com garantia de imóvel.
Nesse texto você conhece algumas dicas fundamentais que podem te ajudar na hora de aplicar o seu dinheiro no setor imobiliário. Acompanhe!
Região
Pode parecer sem importância pensar na região onde o imóvel que você deseja investir estará, mas não é. É fundamental que você observe com cautela a região onde o mesmo está localizado. Isso porque, dessa forma, você fica sabendo se o local tem ou não chances de valorização futuramente.
Dentre os fatores que você precisa avaliar antes de se decidir se vale a pena ou não investir em um imóvel, podemos elencar:
Analise os planos do poder público para a região
Veja se existe a possibilidade de construção de metrôs, praças, pontos de ônibus e hospitais no local
Observe se há projetos de iniciativa privada na região, como shoppings centers e escolas
Uma dica é olhar os bairros que ficam próximos à região central da cidade. Isso porque esses bairros, normalmente, são os que possuem uma chance maior de ocupação e valorização.
Juros baixos
Certamente, você já esperava que esse item estivesse neste artigo. Afinal, quem gostaria de investir em um imóvel quando os juros estiverem lá em cima? Obviamente que ninguém, não é mesmo? Por isso, na hora de pensar em tal investimento, verifique antes como estão os juros do mercado.
Com juros baixos, também existe a chance de as instituições financeiras cortarem as taxas de crédito imobiliário, o que garante mais uma vantagem para o seu investimento. Ou seja, se as condições do mercado estiverem assim, invista porque as chances de lucro são bem altas.
Comprar na baixa para vender na alta
Certamente, investir em imóveis nesse caso sempre será lucrativo. Basicamente, você só precisa se lembrar da lei da oferta e da procura. Se não houver procura, consequentemente, os preços vão cair e você conseguirá investir em imóveis com valores abaixo do mercado.
Em contrapartida, quando o cenário muda, é a sua chance de obter lucro, vendendo o imóvel com um preço maior do que quando você comprou. Impossível existir chance melhor do que essa para obter lucros extraordinários.
Alternativa aos bancos
Existem muitos jovens que já pensam em investir para obter lucro, mas não possuem capital para isso. Imóveis costumam ser investimentos caros e que precisam de um bom planejamento e maturidade para que os lucros sejam positivos.
Por isso, se você não possui uma boa quantia ou uma boa estabilidade financeira, talvez esse não seja o momento para você investir em imóveis. Você pode procurar outras aplicações para investir o seu dinheiro, como por exemplo o Tesouro Direto. Para quem está iniciando no mundo dos investimentos, essa pode ser a opção mais indicada.
Em quais imóveis investir?
Agora que você já sabe quando é o momento ideal de adquirir um imóvel para investimento, vamos continuar. Iremos explicar os diferentes tipos de imóveis que há no mercado para você aplicar seu dinheiro. Afinal, se engana quem acha que só pode investir em casa ou apartamento.
Invista em terrenos
Os terrenos são grandes geradores de riqueza. Há pessoas que compram terrenos por preços baixíssimos e os vendem, anos depois, por milhões. A dica é investir em terrenos no entorno de grandes capitais. A longo prazo você poderá ter um alto lucro, por conta da expansão do local.
Invista em imóveis na planta
Esse é outro tipo de investimento que muitas pessoas fazem. Compram imóveis na planta para revendê-los depois que as obras forem iniciadas. Só não esqueça de analisar o imóvel corretamente antes de comprá-lo com esse intuito. Isso porque não são todos os imóveis na planta que garantem essa vantagem para você.
Invista em imóveis usados
Sempre há casas ou apartamentos que são menosprezados pelo consumidor final. Se você for um bom investidor, você poderá identificar as melhores oportunidades para reformar esse imóvel e vendê-lo com um retorno lucrativo em um curto prazo. O segredo, como sempre, é apenas saber aproveitar as oportunidades.
Invista em imóveis para locação
O segredo para obter lucro com este tipo de imóvel é saber escolher corretamente. Afinal, existem muitas oportunidades em segmentos distintos, como salas comerciais, galpões, hotelaria, casa de veraneio… conhecendo cada um desses negócios, você poderá ter um lucro absurdamente alto.
Esperamos que você tenha entendido quando adquirir um imóvel para investimento e quais são os tipos de imóveis que você pode aplicar o seu dinheiro. Agora é com você, decida quais são as melhores opções para o objetivo que você deseja atingir e bons lucros.
Geralmente, as pessoas passam a maior parte do seu dia dentro do ambiente empresarial. Essa rotina acaba transformando a empresa em um universo próprio, onde uma cultura organizacional é criada a partir das interações entre seus colaboradores e como a organização evolui a partir desses relacionamentos.
Desenvolver uma cultura é importante por funcionar como uma diretriz que inclui desde a estrutura física da empresa como, a divisão do ambiente, mobília, cores e, vai de encontro a qual língua ela falará, quais práticas e hábitos são bem vistos, com quais tipos de pessoas ela se relacionará e, qual a resposta que ela espera de seus colaboradores e personas, diante de tudo isso.
O que é cultura organizacional?
O conjunto de hábitos, crenças, valores e comportamentos compartilhados na empresa, formam o conceito de cultura organizacional. Essas características criam uma “identidade” na organização, definindo como ela otimizará seus processos e conduzir seus negócios.
Inicialmente ela se forma pelos valores do seu fundador e, com o tempo, ela se molda através das interações e processos compartilhados por seus colaboradores.
Uma das grandes referências teóricas da cultura organizacional é o livro “Organizational Culture and Leadership” do psicólogo Edgar Schein. Em uma de suas citações na obra, Schein enfatiza: “a cultura representa para grupos e organizações o mesmo que caráter para indivíduos”.
Qual a importância de contar com uma cultura organizacional?
Cada vez mais, as empresas estão em busca dos melhores talentos para integrarem suas equipes. Acontece que, esses profissionais têm como motivação, quesito fundamental para exercer suas atividades com satisfação e eficiência. Desta forma, a criação de uma cultura organizacional é de extrema importância na atração e na retenção de talentos.
Por meio da cultura organizacional, sua empresa terá um time composto por pessoas que compartilhem os mesmo ideais, os mesmos valores e princípios. Essa identidade também é importante na definição de aspectos importantes dentro de uma organização como, políticas internas, processos e objetivos coletivos.
Quais as características necessárias na cultura?
Criar uma cultura organizacional sólida consiste em algumas características básicas que auxiliam na sua mensuração. Essas particularidades podem variar de acordo com o modelo de gestão adotado pela organização. Algumas delas são:
– Incentivo à inovação;
– Tolerância ao erro;
– Cuidado com os detalhes;
– Focos nos resultados;
– Atenção com as pessoas; e
– Fortalecimento do sentimento de equipe.
Quais são os tipos de cultura organizacional existentes?
Ao decorrer desta leitura, vimos que cada empresa possui sua própria essência. Porém, o teórico Charles Handy, determinou a existência de 4 tipos de cultura organizacionais que podem existir nas instituições. São elas:
Cultura de papéis
Se trata de uma cultura organizacional onde cada colaborador tem seu papel bem delimitado dentro da organização. Esse modelo de cultura costuma a ocorrer em empresas bem tradicionais, onde os processos são democráticos e lentos. Empresas que utilizam desse método de trabalho, dificilmente se destacam no mercado, por medo de ousar.
Além disso, por executarem sempre as mesmas tarefas e com poucas chances de crescimento, seus colaboradores se sentem desmotivados e tendem a produzir menos.
Cultura das pessoas
Este tipo de cultura costuma ser bastante positiva por haver uma relação entre gestão e cultura. Nesse contexto, o foco é estimular a criatividade, trabalho em equipe, evolução e crescimento dentro da organização. Empresas que aplicam essa cultura têm em mente a gestão de pessoas por entender que elas são as peças-chave que estimulam o crescimento da empresa.
Por ser uma cultura mais flexível e inovadora, fica mais fácil para seus gestores e profissionais de RH trabalharem a retenção de talentos no ambiente organizacional.
Cultura do poder
Normalmente, este tipo de cultura é aplicada em empresas menores, onde a gestão é bastante centralizada. Pode parecer um modelo de gestão ultrapassado, porém, a cultura do poder é uma das mais adotadas pelas organizações atualmente.
Essas empresas costumam a ter um ambiente de trabalho bastante competitivo, já que, o foco se resume aos resultados obtidos, sendo bastante desgastante para o colaborador, por não valorizar o trabalho em equipe, aumentando a competitividade entre os colegas de trabalho.
Cultura de tarefas
Como o próprio nome já diz, o foco desta cultura está na realização das atividades. Ela se baseia na contratação de profissionais que tenham bastante conhecimento e especialização nas suas áreas de atuação. Este tipo de cultura também é benéfica aos colaboradores por ser flexível e valorizar a criatividade na resolução das tarefas dos dia-a-dia.
Além disso, empresas que focam na cultura de tarefas tendem a trabalhar com avaliação de desempenho, o que a possibilita coletar dados e, fornecer aos seus colaboradores autoconhecimento e retorno sobre o desempenho de suas atividades.
Como definir a cultura organizacional de uma empresa?
Para colocar a cultura organizacional da sua empresa em prática, existem algumas ações e estratégias que podem ser aplicadas, e que facilitarão a sua gestão. O importante é não só conceituar a cultura da sua empresa em documentos mas, seus colaboradores precisam sentir essa “essência” diariamente no ambiente de trabalho. Vamos às dicas?
– Estabeleça a missão, visão e os valores;
– Converse com os colaboradores;
– Tenha uma política bem estabelecida; e
– Trace suas prioridades no relacionamento com os clientes.
Como saber se a cultura da minha empresa está forte?
De acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria talenses, com 184 profissionais, mais de 63% dos colaboradores conseguem identificar se a empresa no qual trabalham possui uma cultura forte. Desta forma, fica claro que saber se sua cultura organizacional é forte, não é tarefa difícil, mostrando alguns indicadores:
– Presenteísmo;
– Absenteísmo; e
– Clima organizacional.
O que é uma cultura fraca e negativa?
Uma cultura fraca e negativa é aquela que não existe na prática, ficando apenas no papel. Utilizar da análise dos indicadores que citamos no tópico anterior: presenteísmo, absenteísmo e clima organizacional, é um ótimo ponto de partida para identificar se sua cultura é fraca e tóxica.
Se após examinar esses tópicos, você identificar que sua cultura organizacional precisa de melhorias, uma dica é propor uma mudança na empresa, como uma reunião juntamente de todos os seu colaboradores, para que haja um consenso entre todos eles sobre o que deve ser feito ou onde mudanças poderiam ser aplicadas.
Promover a qualidade de vida de seus colaboradores, aplicar feedbacks em equipe e individuais, utilizar do fit cultural no recrutamento e seleção e, se você puder contar com ferramentas de análise de perfil nestas tarefas, mudanças já começarão a surgir.
Você já ouviu falar do conceito de valor esperado? Pode parecer algo super complexo ou que não tem nada a ver com você. Mas a verdade é que você lida com decisões de valor esperado todos os dias, e de forma automática.
Valor esperado nada mais é que o quanto que você espera de resultado de alguma ação. Estatisticamente, é a média dos retornos de uma experiência, se você fizer ela inúmeras vezes.
Valor esperado do tempo no trânsito
Um exemplo que todos passamos todos os dias é o valor esperado do tempo no trânsito.
Imagine que você leva cerca de 30 minutos para ir ao trabalho em média.
As vezes você pega todos os faróis abertos e chega em 15 minutos, mas as vezes (sempre quando você está atrasado) tem um acidente no caminho e você chega em 45 minutos ou mais.
Como na média o translado demora 30 minutos, o valor esperado deste translado é 30 minutos.
O risco e o valor esperado
Usando o exemplo do tempo no trânsito, podemos ilustrar melhor a relação entre risco e valor esperado.
Você poderia experimentar um caminho novo ao trabalho, ou seja, correr um risco. Mas você nunca faria isso se o seu valor esperado não fosse maior. Isto é, quando você se propõe a tentar um caminho diferente, você tem a expectativa de que irá chegar mais rápido, ou seja, que seu valor esperado será melhor.
Inconscientemente nós sabemos que para correr mais riscos é preciso ter um valor esperado maior/melhor. Senão não teria porque correr riscos.
Mas risco não é ruim?
Risco é um conceito interessante.
Falamos toda hora dele, mas a verdade é que ele é mal compreendido, e quase sempre mal administrado.
Mas como o risco pode ser bom?
Sem riscos, você nunca terá um resultado além do óbvio, ou do esperado. E as vezes o esperado não é suficiente.
Vamos ao exemplo.
Risco e o valor esperado no relacionamento
Um exemplo (um pouco ingênuo) para ilustrar o conceito de risco versus valor esperado, é no momento que alguém deseja conhecer outra pessoa.
Quem tem a auto estima baixa (tolerância baixa a risco), sempre terá um valor esperado baixo na hora de iniciar uma conversa com alguém. A pessoa sempre achará que o outro não irá se interessar por ela, ou seja, que não adiantará nada iniciar uma conversa. Por isso ele não corre este risco e nunca inicia esta conversa, e o resultado é o óbvio e esperado: nada.
Já para quem tem a auto estima alta (tolerância alta a risco), é exatamente o inverso. Ele/ela não tem medo de arriscar levar um fora ou ser rejeitado. Isto porque o valor esperado de iniciar a conversa para ele é maior do que ficar parado.
(Peço desculpas pelo momento “auto ajuda”, mas era só para ilustrar o conceito)
Bom, agora que você entendeu o conceito, vamos ao que importa: o valor esperado de um investimento.
Valor mínimo esperado do investimento
Antes de entrar na relação risco x retorno e valor esperado, vamos deixar claro uma coisa: qual o menor valor esperado que você deve ter para um investimento?
O menor valor esperado que você deveria esperar em seu investimento é o benchmark sem risco do mercado, ou seja, o famoso CDI.
Mas o que é CDI?
CDI significa certificado de depósito interbancário. Em poucas palavras, CDI é a taxa que um banco paga para tomar emprestado dinheiro de outro banco. Lembrando que a taxa do CDI sempre irá acompanhar a taxa Selic (a famosa taxa de juros), definida pelo Copom.
Ok, muitos detalhes, vamos ao que interessa.
O que você precisa saber é que o CDI é o mínimo que você deve esperar em um investimento. É o retorno que você consegue sem correr risco e com alta liquidez. Por este motivo, não há porque você optar por um investimento que tenha um valor esperado menor que o CDI, certo?
Comparando com o exemplo do trânsito: a taxa do CDI equivale aos 30 minutos. Qualquer investimento com retorno esperado abaixo do CDI é equivalente a um caminho alternativo que você espera que demore mais que 30 minutos. Não serve para nada.
Apesar de soar óbvio, tem muito investimento com valor esperado abaixo do CDI por aí.
Juros altos controlando inflação: uma consequência do risco x valor esperado
Não vou entrar muito nesta discussão, porque ela é bem ampla e até um pouco contestada. Mas na teoria (até defendida pelo Banco Central e seu plano de metas), aumentar juros diminui a inflação. Mas por quê?
A resposta simplificada é porque aumentar juros aumenta o valor esperado mínimo que falamos anteriormente (no caso, o CDI), e por isso desestimula os investimentos na economia real.
Para o empresário, se um investimento na economia real (ex.: abrir uma loja ou fabricar alguma coisa) não tem um valor esperado maior que o CDI, então vale mais a pena deixar este valor investido, do que arriscar ao abrir um negócio, e poder perder (ou ganhar menos que o CDI).
Menos investimento na economia real significa menos emprego e menos dinheiro circulando, o que resulta em menor consumo e menor inflação (na teoria).
Valor esperado do investimento e a relação risco x retorno
Se um investimento possui risco, o valor esperado do investimento deve compensar este risco.
Conforme falamos antes, um investimento sem risco deve ter o retorno pelo menos igual ao CDI. Conforme o risco do investimento aumenta, seu valor esperado deve aumentar, senão o investidor não deveria aceitar investir.
E é isso. O resto são só probabilidades e contas.
Como calcular o valor esperado
Calcular o valor esperado é super simples: basta multiplicar a probabilidade de tal evento ocorrer pelo resultado, e ir somando estas multiplicações até o acumulado das probabilidades chegar a 100%. Depois você subtrai o custo e chega no valor esperado.
A dificuldade disso tudo é saber qual a probabilidade de algo acontecer.
Em vez de ficar colocando fórmulas aqui, eu vou demonstrar através de exemplos para você entender melhor:
Valor esperado da Mega Sena
O custo de apostar na Mega Sena é R$ 3,50.
A probabilidade de você acertar a Mega Sena é de 1 em 50 milhões. 1/50.063.860 para ser exato, o que dá mais ou menos 0,000002% de chance.
Agora suponha que quem acerta a Mega Sena leva R$ 100 milhões pra casa (normalmente é menos).
Então o valor esperado desta aposta antes do custo é R$ 100 milhões * 0,000002% = R$ 2,00. Como o valor esperado de 99,999998% das vezes é zero (quando você não é sorteado), então o valor esperado total antes do custo é R$ 2,00.
Depois do custo (valor da aposta da Mega Sena), o valor esperado é R$ 2,00 – 3,50 = – R$ 1,50 negativos!
Isto mesmo, apostar na Mega Sena tem um valor esperado negativo!
Mas você já sabia isso sem fazer as contas, certo?
Valor esperado de um investimento
É muito difícil você saber exatamente as probabilidades de um investimento com risco. Mas para nosso exemplo vamos imaginar que isso é possível.
Imagine as seguintes probabilidades:
30% de chance do investimento retornar 40%
20% de chance do investimento retornar -10%
50% de chance do investimento retornar 10%
Qual o valor esperado do retorno deste investimento?
30%*40% + 20%*(-10%) + 50%*10% = 15%
O valor esperado deste investimento é 15%. Se o valor do CDI for menor que 15%, a princípio valeria a pena fazer este investimento, dependendo da sua tolerância a risco. Mas se o valor do CDI for maior (isto é, sem risco você tem um valor esperado maior), então este investimento não compensa.
Este artigo falou muito na teoria, porque a prática é muito mais complexa e, por que não falar, emocional.
Mas a moral da história é simples: O seu investimento deve retornar no mínimo o CDI. Se ele possui algum tipo de risco, ele deve ter um valor esperado maior que o CDI.E o inverso também é válido: Se o investimento render mais que o CDI, ele possui algum tipo de risco.
Quem participa dos diferentes ecossistemas de empreendedorismo de impacto está acostumado a cruzar vez que outra com a ideia de Teoria da Mudança.
Geralmente atrelada a noções como “métricas de impacto” e “visão de longo prazo” as metodologias relacionadas à teoria da mudança – como o Modelo C, por exemplo – se difundiram rapidamente entre organizações e empreendedores focados em negócios de impacto.
No entanto, saber como aplicá-la de modo efetivo já é algo bem mais complexo. Quer finalmente entender o que é e como utilizar as ferramentas de teoria da mudança? Então se liga no post que preparamos para vocês.
Afinal, o que é a Teoria da Mudança
De forma super resumida, a Teoria da Mudança é um conjunto de ferramentas que auxilia no planejamento de qualquer tipo de iniciativa social – como um projeto, uma política pública ou um empreendimento, por exemplo.
Ou seja, ela ajuda a definir e explicitar os objetivos de longo prazo de determinada iniciativa ao mesmo tempo em que permite identificar as pequenas metas a serem atingidas durante o caminho para que esse objetivo se concretize.
Ela é especialmente atrativa para projetos colaborativos, que contam com interesses de diferentes atores. Seu ferramental permite que as decisões sobre as mudanças sejam organizadas de forma coletiva.
“A Teoria da Mudança é essencialmente uma descrição abrangente e ilustrativa de como e por que uma mudança desejada deve acontecer em um contexto particular. Ela é focada em mapear ou “preencher” a lacuna (gap) entre o que um programa ou iniciativa de mudança faz (suas atividades, intervenções) e como isso determina que os objetivos desejados sejam alcançados.” (TheoryofChange.org)
A teoria da mudança surgiu na metade dos anos 90, no contexto norte-americano de avaliação e monitoramento de iniciativas sociais. Uma das principais idealizadoras e formuladoras do conceito foi Carol Weiss, que já vinha pensando sobre o conceito desde a década anterior.
No entanto, foi somente durante as Reuniões de Transformação Comunitária (Roundtable on Community Change promovidas pelo Aspen Institute), em que diversos atores do ecossistema se reuniam para debater os desafios e lições de cada projeto, que as ferramentas em si começaram a tomar forma.
Os pressupostos iniciais que os guiavam estavam mal articulados com o objetivo geral do programa, e muitas vezes com a própria estrutura do programa em si!
Teoria da Mudança em negócios de impacto
No caso dos negócios de impacto, o problema é extremamente similar. Muitas vezes, sabemos que queremos gerar um impacto positivo na sociedade e transformar o mundo e a comunidade onde vivemos em um lugar melhor.
Mas, na correria do dia-a-dia, são raros os empreendedores que encontram o tempo e as ferramentas necessárias para entender e estabelecer a sua tese de impacto, a declaração objetiva de como o negócio quer gerar impacto.
E, mais importante ainda, identificar todos os pressupostos (e as métricas!) relacionados a cada um dos passos que levarão ao alcance do objetivo final.
E é justamente aí que entra a tal da Teoria da Mudança, que embora leve este nome acaba se desdobrando em uma série de atividades extremamente práticas. A teoria da mudança é o ponto de partida (e não o de chegada)! Começa pela tese e vai quebrando passo a passo o caminho para concretizá-la.
Mas, afinal de contas, como implementar a Teoria da Mudança no seu negócio de impacto?
1. Envolva os diversos stakeholders no processo
O primeiro passo é ter em mente que o processo deve ser realizado da forma mais colaborativa e coletiva possível. De pouco adianta designar um único indivíduo com a tarefa de elaborar toda a teoria da mudança de sua organização e entregá-la na forma de um relatório que não será lido ou aplicado.
Mesmo que demore um pouco, vale mais a pena despender um dia em que todos os stakeholders estejam engajados e dispostos a trazer suas visões e inputs para o projeto.
Afinal de contas, lá na frente são justamente estes colaboradores e investidores que estarão interessados em ver os objetivos realizados e as metas alcançadas.
Caso seu negócio ainda esteja em uma fase inicial em que os potenciais investidores e parceiros não estão ainda em contato com o projeto, vale um esforço para trazê-los para perto ou pelo menos realizar um exercício de empatia e pensar como eles.
2. Conheça profundamente o problema que você está resolvendo (e as pessoas afetadas por ele)
Elaborar uma boa teoria da mudança depende, necessariamente, das pessoas envolvidas no processo terem um conhecimento amplo e aprofundado não apenas sobre a solução – o projeto ou negócio que estão desenvolvendo – mas também e principalmente sobre o problema que buscam resolver.
Realize pesquisas, vá para as ruas e converse com as pessoas que estão em contato direto com o problema antes de sentar para elaborar a sua teoria da mudança.
Quem sabe convide uma delas para a co-criação?
Afinal de contas, não há ninguém mais interessado nos resultados da sua ação do que aquelas pessoas que serão diretamente afetadas por ela.
Nesta etapa, preocupe-se também em ter bem especificado e organizado:
a) as causas e as consequências do problema central;
b) as raízes mais profundas e complexas do problema que você está tentando resolver (utilize a técnica da árvore de problemas e dos por quês?);
c) além de listar a maior quantidade possível de causas e consequências associadas (em um primeiro momento, na forma de brainstorm).
Tire um tempo para, em seguida, organizar estas conexões e certificar-se que elas fazem sentido.
3. Defina os objetivos de longo prazo desejados (e como avaliá-los)
Uma das etapas mais importantes – se não a mais importante – na construção da Teoria da Mudança é definir quais os objetivos de longo prazo que se deseja alcançar com o negócio de impacto.
Mas, como definir estes objetivos?
Bom, lembra da etapa anterior de exploração do problema? Se você cumpriu bem aquela etapa, a definição dos objetivos aqui é simplesmente uma questão de adaptação da linguagem e reafirmação do compromisso com o problema.
Por exemplo, se o problema identificado é a “falta de água na comunidade abc”, então a definição do objetivo de longo prazo pode ser descrita como “melhorar a oferta e distribuição de água na comunidade abc”.
Assim como ao longo de toda a construção da Teoria da Mudança, nesta etapa também é importante atentar para questões de mensuração dos resultados com indicadores de impacto.
Essas definições devem ser estipuladas desde o princípio, para facilitar a avaliação do programa ou evolução do negócio ao longo de sua implementação.
Como você vai saber que atingiu o seu objetivo de melhorar a oferta de água em determinada comunidade? Esta “melhoria” precisa ser explicitada de forma objetiva e mensurável, para que possamos entender o tamanho da mudança que pretendemos realizar.
Mas, como saber que meta é razoável? Voltamos aqui uma vez mais à exploração do problema.
Quando bem feita, esta etapa deve ser capaz de nos indicar quantitativamente o tamanho do problema que estamos encarando – e, por consequência, do impacto gerado pela solução que entregaremos.
Quantas famílias da comunidade não têm acesso à água? Quantos % isso simboliza dentro de toda a comunidade? Por quantas horas do dia o fornecimento de água é garantido? Qual a qualidade desta água? Sabendo estes dados, podemos eleger as metas que desejamos atingir com a nossa intervenção.
Dica importante
-> Cuidado com as métricas de vitrine! Muitos projetos utilizam as métricas de vitrine com o objetivo de apresentar “grandes números” que impressionem seus investidores e colaboradores. Mas de nada adianta trazer números enormes se eles não nos informarem nada sobre a evolução da ação proposta.
-> As métricas devem ser sempre pensadas em relação ao problema, para que possamos calcular as mudanças que ocorreram. Por exemplo, definir a meta de proporcionar água de qualidade para 500 famílias não significa nada fora do contexto relacional.
Pense que se o abastecimento de água às 500 famílias durar apenas alguns minutos no dia, ou ocorrer durante 3 horas mas com uma logística difícil e cara, isso não acarretará em uma melhoria na qualidade de vida das pessoas que sofrem com este problema e nossos números seriam apenas uma “imagem meramente ilustrativa”, bonita de se ver mas sem um conteúdo que traduza o real impacto.
-> Uma boa métrica traz os números dentro de seus contextos. No nosso exemplo, algumas possibilidades de métrica de impacto seriam: aumentar para X% a quantidade de famílias que têm acesso à água potável (própria para beber e cozinhar) durante X% do seu dia a um valor de X reais por litro. Muito melhor e mais preciso do que apenas “entregamos água para 500 famílias”.
4. Monte a estrutura da Teoria da Mudança
Agora que vocês já definiram o objetivo de longo prazo e sua métrica, é hora de começar a elencar as atividades, hipótese e resultados esperados que irão compor o mapa da teoria da mudança. A estrutura básica para fazer isso utiliza-se da lógica do “E SE…”
Veja no exemplo a seguir:
SE nós estabelecermos um comitê para a comunidade (atividade) E as pessoas se engajarem (hipótese) ENTÃO poderemos construir uma cisterna comunitária (resultado). SE construirmos uma cisterna (resultado) E ela for de fácil manutenção (hipótese) ENTÃO as pessoas terão acesso à água para suas atividades diárias (benefícios). SE as pessoas tiverem acesso à água (benefício) E as famílias cumprirem as indicações de higienização (hipótese) ENTÃO vamos alcançar o objetivo de melhorar a distribuição de água (objetivo geral).
No entanto, para resolver problemas complexos, as hipóteses e atividades são inúmeras e muitas vezes acabam se entrecruzando. Tendo em mente a lógica do E SE, utilizar uma ferramenta como um quadro para organizar as inúmeras hipóteses ou um diagrama para elencá-las pode ajudar muito na hora de montar a sua Teoria da Mudança.
O quadro abaixo contribui para esta organização. Lembrando que o primeiro item a ser preenchido é justamente o que aparece no mais à direita. Você deve primeiro preencher o resultado de longo prazo que espera alcançar, e então retornar ao início e seguir na direção desse resultado.
Fazendo desta forma, garantimos a efetividade da real mudança: é ela que define todo o processo. Mantendo o foco no resultado, as demais etapas do empreendimento são encaminhadas na sua direção, garantindo que os resultados de longo prazo sejam alcançados.
Eu preciso ter uma teoria da mudança?
Chegando até aqui fica evidente que os ganhos ao utilizá-la vão muito além do auxílio na mensuração de impacto, embora este também seja um ponto forte desta metodologia. As vantagens de aplicá-la na construção do seu modelo de negócio são:
1 – Ajudar a desenvolver um planejamento mais robusto das atividades a serem executadas,
2 – ter uma visão objetiva sobre quais tarefas são necessárias para atingir quais resultados,
3 – impedir que você e sua equipe gastem tempo e recursos com tarefas pouco relevantes e, claro,
4 – facilitar o processo de acompanhamento e monitoramento da evolução do seu negócio.
Esperamos que agora você tenha um entendimento um pouco mais aprofundado sobre as ferramentas de Teoria da Mudança e busque implementá-la em seu negócio de impacto!